A nova onda da internet? Rastrear políticos em tempo real
A nova onda da internet? Rastrear políticos em tempo real

O uso da tecnologia como ferramenta de participação popular começa a ganhar força no Brasil. Em meio ao excesso de vídeos virais, correntes de WhatsApp e debates superficiais, novas plataformas estão mudando a forma como a sociedade acompanha o poder público. Para o advogado e especialista em tecnologia Leon Fagiani, associado da Apeti, esse movimento marca uma virada. “A tecnologia virou uma avenida para fiscalizar o poder. A sociedade finalmente entende que pode agir o tempo todo, não só em época de eleição”.
O país tem histórico de participação digital. O Marco Civil da Internet, ainda em 2009, recebeu mais de 800 contribuições em três meses de consulta aberta. Hoje, grandes nações já caminham na mesma direção. A China lançou no fim de 2025 um portal unificado que permite consultar leis e regulações em poucos cliques, mostrando como governos começam a reorganizar seus dados para acesso público.
No Brasil, iniciativas independentes também surgem. Uma das que mais chamam atenção é o site deolhoemvoce.com.br, criado pelo programador Cesar Augusto Rodrigues. A plataforma transforma informações dispersas sobre gastos do Congresso Nacional em painéis simples de entender. O usuário acessa ranking de parlamentares, vê para onde vai o dinheiro público e confere despesas como combustíveis, viagens e emendas. Tudo baseado exclusivamente em dados oficiais.
Para Fagiani, esse tipo de solução aproxima a população do que já é rotina no setor privado. “Nenhuma empresa avalia resultados sem indicadores. A política não pode continuar sendo acompanhada no escuro”. Ele destaca que o acesso a dados não só informa, mas também estimula cobrança. “Quando a população enxerga para onde o dinheiro vai, ela cobra com mais precisão. E cobra com dados.”
O especialista reforça que participação cidadã não deve se limitar ao voto. “Participar é agir continuamente. E a tecnologia já oferece caminhos para isso”. Segundo ele, dashboards públicos, consultas abertas e ferramentas de fiscalização podem fortalecer uma cultura de engajamento que vai além dos anos eleitorais.
Fagiani vê esse avanço como um divisor de águas na relação entre sociedade e poder público. “A informação está aí. A questão agora é quanto ela será apropriada por cada cidadão”.










