Acordo UE–Mercosul entra na reta final e deve abrir um ciclo positivo para comércio, logística e consumo

12 de janeiro de 2026

Acordo UE–Mercosul entra na reta final e deve abrir um ciclo positivo para comércio, logística e consumo

Após mais de duas décadas de negociação, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia caminha para a fase final e já começa a redesenhar expectativas no comércio exterior brasileiro. O tratado envolve um mercado estimado em 720 milhões de consumidores e cerca de 25% do PIB global, com potencial de ampliar exportações, reduzir tarifas e reorganizar cadeias produtivas no Brasil.

Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada indicam que o Brasil tende a ser o principal beneficiado do acordo. A projeção é de impacto positivo no Produto Interno Bruto ao longo dos próximos anos, com efeitos distribuídos entre agronegócio, indústria e serviços logísticos. Para o consumidor, a mudança mais perceptível deve aparecer de forma gradual nos preços e na variedade de produtos importados, especialmente vinhos, queijos, medicamentos, máquinas e equipamentos.

A eliminação progressiva de tarifas alfandegárias deve facilitar a entrada de produtos europeus no país, ao mesmo tempo em que abre espaço para exportações brasileiras com maior valor agregado. No caso de veículos, por exemplo, a alíquota de importação hoje em 35% tende a ser zerada ao longo de até 15 anos. Em outros segmentos, como alimentos e bebidas, o impacto pode ser percebido em prazos mais curtos.

Para quem atua diretamente na ponta da logística e do comércio exterior, o acordo representa uma mudança estrutural no fluxo de mercadorias. Segundo Marcio Marcassa Jr., despachante aduaneiro e diretor da Rio Port, de Rio Preto, o tratado tende a criar um ambiente mais previsível para importadores e exportadores. “A redução de tarifas e a padronização de regras tornam as operações mais eficientes, diminuem riscos e ajudam empresas brasileiras a planejarem melhor seus custos e investimentos no médio e no longo prazo”, afirma.

Além do impacto direto no consumo, o acordo também atinge a base da produção nacional. A importação de máquinas, fertilizantes, equipamentos agrícolas, produtos químicos e tecnologias industriais deve ocorrer a custos menores, favorecendo a modernização de empresas brasileiras e aumentando a competitividade no mercado interno e externo.

No agronegócio, a expectativa é de ampliação das exportações de carnes, frutas, etanol e produtos processados. Embora exista o debate sobre possível pressão nos preços internos, especialistas avaliam que os efeitos inflacionários tendem a ser limitados, com rápida acomodação do mercado. A abertura de novos canais de exportação reduz a dependência de poucos destinos e diminui o risco comercial para produtores de diferentes portes.

Do ponto de vista logístico, o acordo também exige adaptação. Maior fluxo de mercadorias significa demanda crescente por eficiência portuária, despacho aduaneiro mais ágil e integração entre sistemas. Para empresas do setor, o cenário é de aumento de operações, mas também de necessidade de profissionalização e planejamento.

Ainda que os efeitos não sejam imediatos, o acordo UE–Mercosul inaugura um ciclo considerado positivo para a economia brasileira. Para quem acompanha de perto o comércio exterior, o movimento sinaliza menos barreiras, mais previsibilidade e um ambiente mais favorável para crescimento sustentado ao longo dos próximos anos.

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