Buraco na rua quebrou seu carro? Veja quem paga a conta
Buraco na rua quebrou seu carro? Veja quem paga a conta

Pneus estourados, rodas tortas, suspensão danificada e prejuízo imediato. Batidas causadas por buracos, desníveis e falhas no asfalto seguem entre os problemas mais comuns nas vias urbanas brasileiras e se repetem tanto em grandes centros quanto no interior. A situação costuma gerar a mesma dúvida entre motoristas: o seguro cobre esse tipo de dano ou a responsabilidade é do poder público?
Na prática, o seguro automotivo pode cobrir danos provocados por buracos na rua, desde que a apólice inclua cobertura para colisão ou danos materiais. Nesses casos, o sinistro é tratado como acidente, mesmo sem a participação de outro veículo. O reparo pode ser feito pela seguradora, respeitando franquia e regras previstas em contrato.
Segundo a corretora de seguros Rosi Dellatorre, danos causados por buracos, lombadas irregulares e falhas no asfalto costumam ser enquadrados como colisão, o que permite o acionamento do seguro quando essa cobertura está prevista na apólice. Ela também alerta que motoristas com seguro restrito a roubo e furto acabam arcando sozinhos com o prejuízo, mesmo quando o dano ocorre por problemas na via.
O que muitos motoristas ainda não sabem é que existem coberturas adicionais específicas, independentes da cobertura principal do veículo. Itens como pneus, rodas, suspensão, martelinho de ouro e pequenos reparos podem ser acionados separadamente, sem a necessidade de utilizar a cobertura total do carro.
Na prática, isso significa que, em casos como estouro de pneu, amassado de roda ou pequenos danos causados em estacionamentos, o motorista não precisa acionar a cobertura compreensiva, usada para grandes colisões ou perda total. Nessas situações, a franquia costuma ser bem menor e, em alguns casos, o custo de participação é mínimo.
Além disso, o acionamento dessas coberturas específicas não interfere na estrutura principal da apólice nem impacta a classe de bônus na renovação do seguro, o que reduz o receio de utilizar o serviço para danos pontuais.
Outra possibilidade é buscar ressarcimento junto ao órgão responsável pela rua ou rodovia. A legislação prevê a responsabilização do poder público em casos de falta de manutenção, mas esse caminho tende a ser mais demorado. É necessário reunir fotos do local, registro da ocorrência, comprovação dos danos e, muitas vezes, ingressar com ação judicial. O processo raramente é rápido.
Por isso, em situações emergenciais, acionar o seguro costuma ser a alternativa mais prática. O motorista deve fotografar o buraco, registrar os danos no veículo, anotar o local exato e comunicar a seguradora o quanto antes. Esse material também pode ser utilizado posteriormente, caso o condutor opte por buscar ressarcimento junto à prefeitura.
Além dos buracos, outros problemas urbanos seguem a mesma lógica. Danos causados por alagamentos, bueiros abertos, lombadas fora do padrão e objetos soltos na pista dependem do tipo de cobertura contratada e da forma como o sinistro é caracterizado.
Para Rosi Dellatorre, revisar a apólice com atenção e entender exatamente o que está contratado é essencial. Em um cenário de vias deterioradas e riscos frequentes, a escolha correta do seguro pode evitar prejuízos maiores depois do acidente.










