Casos de bullying e racismo explodem nas escolas e já geram corrida à Justiça no Brasil

1 de dezembro de 2025

Casos de bullying e racismo explodem nas escolas e já geram corrida à Justiça no Brasil. Especialista da região fala sobre como lidar com o problema

O Brasil vive um avanço acelerado de casos de bullying, violência e discriminação dentro das escolas. O movimento aparece nos boletins oficiais, nas pesquisas nacionais e, principalmente, na Justiça, que registra uma explosão de processos envolvendo conflitos entre alunos.

Levantamento do Estadão com dados do Conselho Nacional de Justiça mostra que a judicialização desses casos cresceu mais de cem vezes nos últimos anos. Foram apenas 2 ações em 2020, número que saltou para 280 em 2024. Até julho de 2025, os tribunais já tinham recebido 211 novos processos relacionados a bullying, racismo e violência escolar. A conta deve fechar o ano em novo recorde.

O Ministério dos Direitos Humanos também aponta alta consistente. As denúncias de bullying cresceram quase 70 por cento em 2024, com 2.346 registros, contra 1.399 no ano anterior. A percepção de aumento é compartilhada por especialistas, diretores e famílias, que relatam mais episódios e menos paciência para lidar com soluções consideradas insuficientes dentro das próprias escolas.

As pesquisas nacionais reforçam o cenário. O relatório do INEP baseado no PISA 2022 mostra que 22 por cento das meninas e 26 por cento dos meninos disseram sofrer bullying algumas vezes por mês. Um estudo do IBGE de 2021 indica que 23 por cento dos brasileiros já foram vítimas desse tipo de agressão. O avanço da judicialização é visto como reflexo da insatisfação das famílias e da busca por responsabilização legal, especialmente depois que o bullying passou a ser crime em 2024.

No interior paulista, a especialista em relacionamento Solange Pescaroli, fundadora da UMA Um Movimento para Autoeducação, de Fernandópolis, diz que a solução começa muito antes dos tribunais. Ela destaca que a parceria entre escola e família é o ponto decisivo para impedir que pequenos conflitos se transformem em crises.

Segundo Solange, quando os dois lados mantêm diálogo constante, o cuidado fica mais rápido e preciso. Ela afirma que sinais simples precisam ser levados a sério, como isolamento, mudanças repentinas de humor ou conflitos repetidos com colegas. Solange defende que quem notar algo, seja em casa ou na escola, procure o outro imediatamente para observar com cuidado, conversar e entender o que está acontecendo. Para ela, essa ação conjunta evita que uma situação pequena vire um problema grave.

A especialista reforça que educar para o respeito é o caminho central. Quem aprende a respeitar o próximo compreende a importância da inclusão e ajuda a tornar o ambiente de todos mais saudável.

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