Nem todo câncer pode ser operado com robô: cirurgião de Rio Preto mantém técnica aberta em casos complexos
Nem todo câncer pode ser operado com robô: cirurgião de Rio Preto mantém técnica aberta em casos complexos

Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer; escolha entre cirurgia aberta, robótica ou laparoscópica depende do estágio da doença e da indicação de cada caso
Em meio ao avanço da cirurgia oncológica robótica e por laparoscopia no Brasil, especialistas reforçam que cada técnica possui uma indicação específica e que nem todos os tumores podem ser tratados da mesma forma. Em alguns casos, inclusive, um procedimento minimamente invasivo pode precisar ser convertido para cirurgia aberta durante a operação, dependendo das características e da extensão do câncer.
A avaliação é do cirurgião oncológico Sérgio Carvalho, de Rio Preto, que acumula mais de 35 mil cirurgias ao longo da carreira e atua também na formação de novos médicos no Hospital de Base. Segundo ele, o principal fator na escolha da técnica não é apenas a tecnologia utilizada, mas o estágio da doença, o tamanho do tumor e o comprometimento de outros órgãos.
“Eu indico cirurgia por robô e laparoscopia, que são avanços importantes da medicina e têm excelente indicação em muitos casos. Mas existem situações em que a cirurgia aberta se faz necessária, principalmente em tumores maiores, mais avançados ou que atingem órgãos adjacentes. Cada procedimento tem sua indicação e o mais importante é garantir o melhor tratamento ao paciente”, afirma.
Dados do Instituto Nacional de Câncer indicam que o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026–2028. Quando excluídos os tumores de pele não melanoma, são aproximadamente 518 mil diagnósticos anuais.
Os números refletem o aumento dos diagnósticos no país, impulsionado principalmente pelo envelhecimento da população. Na avaliação do especialista, o ponto central da cirurgia oncológica continua sendo a retirada completa do tumor com segurança oncológica, independentemente da via utilizada.
“Trabalhar com cirurgia aberta foi uma opção construída ao longo da minha trajetória profissional. É uma técnica importante, que continua tendo papel fundamental em casos complexos e avançados”, afirma.
A cirurgia robótica tem ganhado espaço no país, sobretudo em casos iniciais e procedimentos menos invasivos. Ainda assim, segundo o médico, ela não substitui todas as abordagens. “A cirurgia robótica é uma ferramenta extremamente importante e trouxe avanços relevantes para a medicina. Mas, em oncologia, o principal objetivo continua sendo retirar o tumor completamente e oferecer o melhor resultado possível ao paciente”, diz.
A escolha da técnica impacta diretamente no resultado do tratamento. Hoje, com a combinação entre cirurgia, quimioterapia e acompanhamento contínuo, a sobrevida dos pacientes avançou significativamente. Segundo o médico, já é possível acompanhar casos por décadas. “Tenho pacientes com mais de 20, 25 anos de acompanhamento após o tratamento.”
Mesmo com os avanços, o diagnóstico precoce ainda é um dos principais desafios. Parte relevante dos casos no Brasil segue sendo descoberta em fases mais avançadas, o que exige procedimentos mais complexos e reduz as opções terapêuticas. Segundo o especialista, tanto a cirurgia robótica quanto a laparoscópica representam avanços importantes da medicina moderna, mas a cirurgia aberta continua necessária em determinadas situações para garantir segurança oncológica e melhores resultados no tratamento.










