Após o divórcio, pai não pode virar ‘visitante de fim de semana’, alerta psicólogo

7 de agosto de 2026

Na semana do Dia dos Pais, especialista explica por que presença e participação na rotina dos filhos devem continuar mesmo depois do fim do casamento

O casamento termina, mas a paternidade continua. Depois do divórcio, manter uma relação próxima e saudável com os filhos é um dos principais desafios dos pais, especialmente quando conflitos entre o ex-casal começam a interferir na convivência familiar. Na semana do Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9), o psicólogo Bruno Garibaldi, de Rio Preto, chama atenção para situações que ainda aparecem no consultório: crianças usadas como intermediárias em discussões, como fonte de informações sobre o ex-companheiro ou até como instrumento de pressão.

“A criança não deve ser usada como mensageira, espiã ou moeda de troca. O primeiro passo após o término é os adultos conseguirem administrar a separação sem colocar os filhos no meio do conflito”, afirma Garibaldi.

Falar mal do outro genitor, dificultar a convivência ou ameaçar impedir o contato com os filhos são comportamentos que, segundo o psicólogo, podem afetar diretamente a criança e comprometer vínculos importantes.

“Quem acaba prejudicado é o filho. Independentemente do que aconteceu entre o casal, é preciso preservar a relação da criança com o pai e com a mãe, sempre pensando no bem-estar dela”, diz.

Outro momento que exige atenção é quando pai ou mãe inicia um novo relacionamento ou constitui outra família. A nova configuração familiar, segundo Garibaldi, não pode representar afastamento dos filhos da relação anterior.

A ausência ou a ruptura do vínculo pode ter reflexos emocionais que ultrapassam a infância. “Quando existe uma sensação de abandono, podem aparecer insegurança, medo de perder pessoas e dificuldade para confiar e estabelecer vínculos. Por isso, trabalhamos muito a ideia de que o pai não é um visitante do fim de semana.”

Mais presentes

Apesar dos desafios, Garibaldi percebe uma mudança positiva no comportamento dos homens. Segundo ele, cada vez mais pais separados chegam ao consultório preocupados não apenas com as responsabilidades financeiras, mas também com a saúde emocional, a educação e a rotina dos filhos.

“Vejo pais querendo levar e buscar na escola, participar de reuniões, acompanhar terapia e outros profissionais, saber como o filho está e estar presente nas atividades. Existe uma preocupação maior com educação, saúde e desenvolvimento”, afirma.

Essa presença também aparece nas atividades mais simples do cotidiano, como acompanhar os filhos no futebol, natação, balé ou em outros compromissos. Para o psicólogo, são justamente esses momentos que ajudam a manter o vínculo depois da separação.

“O pai presente contribui para autonomia, segurança e confiança. A criança percebe que pode contar com ele e tende a se sentir mais segura para falar, se expressar e enfrentar situações difíceis”, explica.

Para Garibaldi, o avanço está justamente na compreensão de que paternidade não se resume ao pagamento das despesas ou aos dias estabelecidos para convivência.

“Ser pai é estar presente. Mesmo quando o casamento termina, a responsabilidade afetiva e o vínculo com os filhos continuam.”

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